Lammas & Lughnasadh
A PRIMEIRA COLHEITA
01 de Agosto (H.Norte) 02 de Fevereiro (H.Sul)
Chegamos ao ponto da Roda em que o Sol começa a descer no horizonte, e mesmo assim… ele ainda brilha com força.
É tempo de Lammas,
o primeiro pão, o primeiro grão,
a primeira colheita.
Tudo o que semeamos - com o corpo, coração e a alma, começa agora a se revelar.
Lammas não celebra apenas o que foi colhido, mas a intenção que foi semeada, a dedicação silenciosa, os gestos cotidianos, os votos de perseverança. É o Sabbat que nos lembra...
"Nenhum fruto nasce do acaso"
Toda colheita carrega um princípio - um gesto de fé no invisível.
A Mãe do Grão e o Deus Lugh
Neste ponto da jornada, dançamos com duas forças sagradas:
- Mãe do Grão - nos ensina a respeitar o tempo das coisas. Ela é o ventre da Terra, que gesta em silêncio e entrega em abundância.
- Deus Lugh - recorda que a luz nunca se perde. Mesmo quando começa a ceder espaço à sombra, ele permanece presente em cada semente, entregando sua essência para alimentar a Vida.
Gratidão, Celebração e Consciência
Os antigos sabiam que o ato de colher é também o ato de agradecer. Em Lughnasadh, os povos se reuniam não só para festejar, mas para compartilhar. Era o momento de unir comunidades, selar votos, firmar alianças.
Hoje, mesmo que a celebração se dê em casa, num altar simples ou num gesto solitário, o chamado é o mesmo: honrar o que foi conquistado e devolver à Terra com gratidão.
O que não é partilhado, perde valor.
E o que é ofertado com amor, se multiplica.
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SÍMBOLOGIAS DE LUGHNASSADH
Lammas nos fala do essencial. Do pão que nasce do suor, do grão que nasce da Terra, da vida que ressurge no simples gesto de colher. Neste Sabbat, tudo o que é ofertado carrega um poder antigo - o de sustentar a eternidade através da entrega consciente.
O Primeiro Feixe - A Alma da Colheita
Ao nascer do dia, nossos ancestrais cortavam o primeiro feixe do campo, guardando nele a essência viva da abundância. Esse feixe sagrado era moído, transformado em farinha, e dali surgia o Pão da Colheita - o alimento primordial, que abria a celebração, sendo partilhado entre todos. Era o sinal de que a Terra havia respondido… e de que era hora de agradecer. E não só o pão: da cevada recém-colhida, fazia-se também a primeira bebida da Roda do Ano, símbolo da nutrição espiritual e do ciclo que recomeça.
John Barleycorn – O Espírito Vivo do Grão
Na tradição antiga, o grão tem alma e seu nome é John Barleycorn. Ele é o próprio Espírito da Colheita - que nasce, cresce, é ceifado e renasce, uma e outra vez. Representa Lugh, o Deus Sol, que se sacrifica para que a vida continue.
- Ao se tornar pão, ele nos alimenta.
- Ao ser plantado novamente, ele ressuscita.
Em Lammas, reconhecemos esse ciclo com reverência: morte e renascimento caminham lado a lado.
Quando aceitamos a colheita com gratidão,
ela nos transforma.
Quando a negamos, ela nos ensina.
Em ambos os caminhos,
o Espírito do Grão nos guia de volta à Vida.
A Boneca de Milho – a Guardiã do Portal
Dos últimos feixes do campo, surgia uma figura mágica: a Boneca de Milho - um receptáculo. Nela se ancorava o Espírito dos Grãos, a força fértil da Senhora do Milho - que zelaria pela próxima semeadura. Feita com palha, flores, cipós ou o que a Natureza ofertasse, ela era colocada sobre a mesa, consagrada em oração, e mantida em lugar sagrado até Samhain.
Naquela matéria de palha, morava a ponte entre os mundos: o elo entre a colheita de agora e o renascer que virá. No final da Roda (Samhain), a Boneca era queimada nas Chamas Sagradas ou devolvida à Terra, num ato de profundo desapego, rendição e fé.

Nota - As Bonecas de Milho, devem ser manufaturadas em matéria prima natural e especificamente do reino vegetal (ramos, flores, cipó, palhas...) - não há distinção apenas pela palha de milho ou feixe de trigo. A criatividade está em nossas mentes e do que a Natureza apresentar em nossas mãos. Caso nada possas encontrar em específico, um simples desenho feito por carvão ou lápis ou uma imagem holográfica na mente firma a intenção. Após consagrar o instrumento em seu altar, ela poderá ser transportada a ceia ou mesa do Sabbat. ao terminar a celebração, deverá retornar ao seu altar , onde permanecerá até Samhain para que seja incinerada nas Chamas Sagradas (Caldeirão ou fogueira) em saudação ao fechamento da Roda Anual.
Chamas Sagradas – A Dança da Luz que Permanece
Ao redor do fogo, dançavam os antigos. Giravam em honra ao Sol e à generosidade de Lugh, pedindo proteção para o que viria. A fogueira iluminava os corações sagrados - era um espelho do Sol - ainda forte, mas já se preparando para declinar.
Hoje, o fogo pode surgir numa vela, num caldeirão, num candeeiro... mas sua essência permanece: acende a alma, ativa os pedidos, purifica as intenções.
Cada chama acesa em Lammas é um pacto com o Amor Maior - um reconhecimento de que a vida é feita de ciclos, e de que estamos prontos para continuar.
A Honra à Primeira Colheita
Lammas é o espelho onde nos reconhecemos como parte ativa da grande dança da Criação. Não apenas colhemos - também somos colhidos por nossas ações, escolhas e intenções..
Neste Sabbat, celebramos o Deus Lugh, o Senhor das Sementes e da Luz que fecunda a Terra. Guardião dos instrumentos, das habilidades, da força e da coragem, Lugh representa o espírito vivo de tudo o que cresce, matura e precisa ser entregue à transformação. Ele é a expressão da espiral eterna da vida: nascer, crescer, servir, morrer e renascer.
Em sua regência, agradecemos pelo que foi vivido - o que entendemos, e até o que ainda não compreendemos.
“A semente, antes de ser colhida,
enfrenta as intempéries do tempo.
Nem todas germinarão.”
Colher é preciso
Mas escolher a semente é sagrado.
O Ciclo começa pela coragem
Lammas marca a primeira colheita da Roda do Ano, e com ela, o convite à clareza no pensamento. A colheita que agora chega até nós é reflexo de tudo o que cultivamos: ideias, relações, caminhos... e ao colhermos, precisamos também discernir.
- Há grãos cheios de luz - há também sementes que não vingaram.
- Há raízes frágeis que precisam ser cortadas.
- Há frutos que só podem ser guardados com zelo.
Tudo isso é vida em seu pleno movimento. Construir e destruir fazem parte da mesma dança.
Desapegar também é colher.
A morte nunca é o fim
Desapegar é a pausa sagrada onde se forma o novo. Desapegar do que não frutificou é tão necessário quanto celebrar o que deu certo.
Olhar com honestidade para a jornada percorrida, reconhecer o que precisa ser deixado para trás...isso também é amor - é colheita.
Nem todo grão exuberante fecunda a terra.
Nem toda erva daninha protege a vida.
Lammas nos guia a um olhar periférico e desperto, para que não sigamos repetindo escolhas que enfraquecem nossa colheita interior.
A Responsabilidade Sagrada
O chamado
Toda colheita tem um mérito. Toda falha, um ensinamento. O que fizemos com as sementes que nos foram confiadas? Se colhemos pouco, é tempo de revisar. Se colhemos bem, é tempo de cuidar. Porque uma única colheita não sustenta toda a Roda.
O verdadeiro caminho é a vigilância amorosa, a nutrição constante e a abertura ao recomeçar - com mais sabedoria, com mais presença. Lammas não é apenas sobre fartura - é sobre o despertar da consciência.
ASPECTOS DA DEUSA E DO DEUS
A Mãe do Grão & Sacrificado
Neste tempo sagrado da primeira colheita, dançam juntos a Grande Mãe e o Deus que se oferece. Eles entrelaçam seus ciclos no ritmo da Terra, para que a Vida siga seu curso de abundância e renovação.
A Mãe do Grão
- A seiva da Terra, o ventre fértil onde tudo germina.
- A Senhora da Fertilidade que sustenta o mundo com seu sopro nutritivo.
- O Espírito que habita o grão maduro.
- Aquela que acolhe, que amamenta, que transforma a semente em pão.
Na sua essência vibra o poder criador - ela é a Mãe das Colheitas, a Deusa que fecunda o solo e guia os passos dos que cultivam a Esperança.
Ela é a Terra viva que sussurra em cada raiz
Semeia com verdade, colhe com gratidão.
Outros nomes sagrados: Mãe da Colheita, Mãe Terra, Mãe do Milho, Senhora da Fartura.
Deusas correspondentes: Aine, Arianrhod, Blodeuwedd, Brighid, Cerridwen, Danu, Druantia, Flidais...
O Sacrificado - O Espírito do Grão
- Ele é o Deus que se entrega com coragem.
- A Semente viva que se desfaz para alimentar o mundo.
- Em sua doação há poder.
- Em seu sacrifício, a garantia da continuidade.
O Homem Verde, maduro e generoso, sabe que sua partida é também renascimento. Ao morrer, ele se torna parte de cada pão, de cada felicidade à mesa, de cada nova colheita. Ele é o Espírito do Milho, a chama do Sol que começa a declinar... mas não como fim - e sim como transição, para que tudo floresça novamente.
"A Luz que se entrega à sombra prepara o ventre da Criação.”
Outros nomes sagrados: Deus Sol, Rei Divino, Homem Verde.
Deuses correspondentes: Lugh, Herne, Goibniu Cernunnos, Bilé, Belenus, Atho, Oengus...
A Mãe e o Sacrificado nos mostram que:
Para haver colheita, é preciso entrega.
Para renascer, é preciso confiar no escuro.
Para seguir, é preciso aceitar o ciclo.
Correspondências de Lammas
Cada elemento da natureza, cada aroma, cor e sabor, tem seu papel nos ritos que celebram o primeiro fruto da Terra. As correspondências de Lammas são chaves de portais que despertam memórias antigas, enraizadas no corpo da Deusa e no coração pulsante do Deus da Colheita.
Incensos: a fumaça que sobe em espiral leva nossas orações aos céus, trazendo os aromas que invocam gratidão, prosperidade e luz interior.
- Acácia, Olíbano, Rosa, Sândalo - fragrâncias do consolo e da consagração, do amor maduro e da força que se entrega.
Cores Sagradas: as cores de Lammas refletem o calor do verão e o dourado da colheita.
- Laranja, amarelo, marrom e vermelho - as vestes do Sol poente, a Terra madura, o fogo que arde e a seiva que nutre.
Grãos & Ervas: a essência viva da Mãe Terra em suas formas mais puras.
- Nozes, Arroz, Hortelã, Calêndula, Cevada, Urze, Murta, Girassol, Milho, Aveia, Trigo.
Tudo o que brota, amadurece e alimenta. Ervas de proteção, grãos de abundância, flores de gratidão.
Frutos & Verduras da Estação: o sustento ofertado pela generosidade da Terra.
- Alho, Batata, Milho Verde, Salsão, Vagens, Cerejas, Amoras, Maçãs, Abacaxi, Banana, Coco, Figo, Jabuticaba, Jaca, Kiwi, Laranja, Mamão, Manga, Melancia, Melão, Nectarina, Pêssego, Romã, Uva.
O banquete colorido da colheita, cada fruta uma oferenda, cada degustação um ato sagrado de comunhão com o ciclo da vida.
Alimentos Rituais: tudo que é preparado com mãos amorosas e intenções elevadas.
- Pães caseiros, bolos de cevada, tortas, bolinhos e doces de frutas da estação.
O Pão da Colheita como símbolo máximo do sacrifício e da dádiva, nutrindo não apenas o corpo, mas o espírito.
Bebidas da Abundância: para brindar a vida que floresce, a coragem da semente que se rompe.
- Vinhos, cervejas artesanais, chás infusos, sucos naturais e a própria água cristalina.
Bebidas que unem as mãos à mesa e os corações ao propósito.
Em Lammas, tudo o que ofertamos é consagrado.
E tudo o que recebemos deve ser honrado com gratidão.
Que cada elemento dessas correspondências ressoe com tua alma.
Que tua colheita seja farta - no corpo, na mente e no espírito.
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